Javier Vanegas (1984, Bogotá, Colômbia) é doutor em Belas Artes pela Universidade Complutense de Madrid, onde também concluiu um mestrado em Pesquisa em Arte e Criação com bolsa integral da Fundação Carolina. Formou-se em Artes Visuais pela Universidade dos Andes. Paralelamente à sua prática artística, desenvolveu uma distinta carreira acadêmica como professor na Universidade dos Andes, na Universidade Jorge Tadeo Lozano e na Pontifícia Universidade Javeriana.
Sua primeira exposição individual ocorreu no Museu de Arte Moderna de Bogotá (MAMBO) com seu projeto de tese “Retrato Pós-Moderno”, que recebeu o prêmio de Projeto de Tese Destaque. Em 2014, expôs no Museu de Arte Contemporânea de Roma (MACRO) como parte do Festival de Fotografia da Itália com a obra “AMPO”. Em 2018, apresentou a exposição individual “Tempus Fugit” no festival PHotoESPAÑA em Madrid. Seu trabalho foi publicado em livros e projetos editoriais sobre fotografia contemporânea, incluindo “Tarjeta de Memoria”. / Memory Card: Ensaios sobre Fotografia Contemporânea na Colômbia, bem como Los sueños de la razón e Revela Colombia 2011, publicados pelo Ministério da Cultura da Colômbia.
Em 2021, foi convidado pela Embaixada da Colômbia em Viena para representar o país na exposição Nueva Fotografía Iberoamericana. No mesmo ano, participou do festival internacional de fotografia “Photo: Israel” em Tel Aviv com o projeto VIP. Também participou das bienais internacionais de arte de Assunção (Paraguai) e Curitiba (Brasil) e expôs seu trabalho em feiras e espaços internacionais em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Londres, Miami, Lima, Caracas, Madrid, Nova York e Bogotá.
Em 2023, recebeu o Prêmio Nacional de Fotografia da Colômbia, concedido pelo Ministério da Cultura, Artes e Conhecimento, pelo projeto IALUNA 2.0: O Retorno da Onça-Pintada, Protetora do Coração da Terra, um reconhecimento que destaca sua contribuição para a cultura visual contemporânea da Colômbia. Seu trabalho visual questiona o padrão do dispositivo fotográfico e desafia o olhar colonizado na sociedade contemporânea orientada para a performance, propondo um diálogo entre as tecnologias contemporâneas e o conhecimento ancestral dos povos indígenas.
SOBRE A OBRA
O projeto Aluna 2.0 reflete sobre como a cosmogonia Kogui está sendo drasticamente transformada pelo uso de dispositivos móveis; o povo Kogui incorporou e adaptou a Web 2.0 aos seus próprios sistemas de crenças. A hibridização dessa ferramenta digital em seu cotidiano permitiu-lhes configurar novas formas de autorrepresentação e novas maneiras de perceber o mundo natural.
O projeto Aluna 2.0 nasceu no Parque Nacional Natural Sierra Nevada de Santa Marta, criado em 1977 — uma reserva natural cuja configuração geográfica é complexa e delicada, devido aos interesses políticos, sociais, econômicos e militares que nela se cruzam.
O trabalho busca resgatar o valor simbólico e ancestral da *Jañú* (folha de coca), uma planta milenar sagrada para os povos Kogui e Arhuaco, que foi estigmatizada e afetada pela violência gerada pelo narcotráfico na Colômbia. As imagens sintéticas que compõem o projeto visam amplificar a mensagem sagrada e divina dos “Irmãos Mais Velhos”, cujo principal propósito de vida é defender o equilíbrio e a harmonia entre a humanidade e a Mãe Natureza.
O objetivo do projeto é a reconstrução do tecido social e da memória histórica dessas comunidades originárias, com o intuito de compreender o imenso patrimônio imaterial contido em seu conhecimento ancestral.