Matilde Marín é uma artista visual argentina cuja prática se desenvolve em múltiplas disciplinas. Sua obra surge de um processo contínuo e rigoroso de pesquisa, acompanhado por um olhar crítico e reflexivo sobre acontecimentos que deixam marcas na história da humanidade. Seu trabalho é construído a partir da convicção de que o artista não é um observador distante, mas uma testemunha ativa de seu tempo, alguém que registra, interpreta e elabora formas de pensamento visual capazes de questionar a contemporaneidade.
Foi Fellow do Institut d’Études Avancées de Nantes, na França, em 2020, e recebeu o Prêmio Konex de Platina em 1992. Também foi reconhecida em bienais internacionais, como as Bienais de Porto Rico, Havana, Curitiba (Brasil), Cuenca (Equador) e Yokohama (Japão), entre outras. Realizou diversas exposições individuais e coletivas na Argentina e no exterior. Em 2010, a Legislatura da Cidade Autônoma de Buenos Aires a declarou Personalidade Destacada da Cultura. Atualmente, preside a Academia Nacional de Belas Artes (gestão 2022–2024) e a Fundação Federico J. Klemm (gestão 2018–2026). Vive e trabalha em Buenos Aires, Argentina.
SOBRE A OBRA
As geleiras são vastos campos de gelo, paisagens monocromáticas onde cristal, neve, rocha e sedimentos se fundem em uma superfície aparentemente infinita. A água possui memória: um encontro de realidades sobrepostas carregadas de significados profundos. Cada fragmento de gelo que flutua sobre o lago guarda o tempo, histórias e mensagens que nos atravessam. O gelo é matéria viva, um arquivo silencioso do tempo. Na imagem final, uma figura observa a geleira confinada em um espaço expositivo; ainda assim, ela permanece e resiste à ação humana.