Jessie Kleemann, é artista visual, performer e poetisa com formação em teatro e artes visuais na Dinamarca e na Groenlândia. Jessie Kleemann trabalha com vídeo, texto, instalação, performance, pintura, gravura e poesia.
Em 2022, foi indicada ao Prêmio de Literatura do Conselho Nórdico por sua coletânea de poemas Arkhticós Dolorôs (2021). Entre 2022 e 2023, participou do programa de comunicação pública Prática Artística do Art Hub Copenhagen, que inclui um evento ao vivo no qual o artista se encontra com um curador internacional de sua escolha. Nesse caso, Jessie Kleemann conheceu Catherine Wood, diretora de programação da Tate Modern, que atua como curadora de performances e outras formas de arte ao vivo há vinte anos.
SOBRE A OBRA
Em 19 de junho de 2019, Jessie Kleemann realizou uma performance na geleira Sermeq Kujalleq — conhecida como Lago Azul —, próxima a Ilulissat. Em sua prática de arte performática, a artista questiona o que a obra deve provocar nela e no espaço, refletindo sobre a relevância dos mitos e sobre a capacidade de permitir que eles se expressem. Nessa performance, os próprios elementos da paisagem assumem protagonismo: o vento, a intensa luz do Ártico, o gelo em fusão e o crioconito que escorre das profundezas da morena glacial.
A obra propõe uma reflexão sobre a realidade do derretimento do Ártico — Issittup aakkiartornera — à medida que a camada de gelo se dissolve, enquanto migrações humanas impulsionadas por guerras e pela fome atravessam as regiões subárticas. Ao mesmo tempo, questiona a dificuldade de ouvir e compreender o que essa transformação tem a dizer. Arkhticós Dolorôs expressa uma condição compartilhada: a dor da artista, a dor do Ártico e a dor coletiva diante da crise climática, simbolizada pelo sofrimento do urso-polar.