Jack Holmer é artista visual, formado em Licenciatura em Desenho pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (2004), Mestre em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná (2008) e Doutor em Design (na área de concentração: Design, Arte e Tecnologia) pela Universidade Anhembi Morumbi (2025).Trabalha com poéticas tecnológicas desde 2001. pesquisa Vida Artificial e Robótica através da Semiótica, suas interfaces de interação e a gameficação da contemporaneidade, produzindo robôs interativos, Seres Virtuais Autônomos, GameArt, documentários e códigos computacionais. É professor da Universidade Estadual do Paraná, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, já tendo lecionado na Faculdade Internacional de Curitiba, na Universidade Tuiuti do Paraná e na Faculdade de Artes do Paraná entre 2007 e 2012. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Arte e Tecnologia, Robótica e na área de Design, na qual foi coordenador de Projeto Gráfico do Museu Oscar Niemeyer.
SOBRE A OBRA
A rocha, dura e estética devido ao longo tempo de sua existência, está habituada a ser rocha. Para modificá-la, é necessário muito calor e energia para que ela volte ao seu estado de magma líquido e, assim, mude seu longo hábito de permanecer como é. Se apenas energia for aplicada, ela se quebrará, modificando-se, mas perdendo sua forma. Por essa razão, o artista escolhe adicionar uma camada eletrônica sobre a rocha, modificando seu comportamento e criando para ela um novo hábito de ser. A rocha modificada pelos circuitos eletrônicos passa a possuir uma nova existência relacional com o mundo: expressa-se por luzes e possui um código digital que rege seu comportamento em sua central de processamento de dados.
Para criar tais comportamentos, Jack Holmer utiliza os modais de Algirdas Julien Greimas e sua Semiótica das Paixões, que conjugam um sentimento específico com base no “ser/fazer” e no “poder/querer”. Nessas obras, são apresentadas conjugações de forma visual e animada, como um corpo/Ser que detém um “poder-fazer” e experimenta uma “liberdade”, ou sofre de um “querer-ser”, sentindo um “desejo”. Cada rocha apresenta uma conjugação de paixões específicas e suas possíveis variações.
O conjunto de rochas é conectado entre si e recebe informações sobre o estado das demais, criando, entre elas, uma percepção interativa por meio da troca de informações sobre suas conjugações e “sentimentos”. Junto às rochas, são apresentados quatro QR codes que podem ser acessados pela câmera dos smartphones dos espectadores. Ao ativar um dos QR codes no celular, o espectador visualiza corpos virtuais em “situações/desejo”. Nesse contexto, a tela e a câmera são compreendidas como dispositivos capazes de revelar outra camada do mundo sensível por meio da técnica da realidade aumentada.
A obra propõe uma reflexão sobre hábitos e sentimentos ligados à afetividade, que surgem nas relações amorosas e vêm sendo revisados por correntes de práticas e filosofias não monogâmicas na contemporaneidade digital.