SOBRE A EXPOSIÇÃO
Selecionadas para representar Macau na Bienal de Curitiba, as obras de Peng Yun, Bianca Lei e Gao Fuyan convergem numa única questão: como nos mantemos humanos quando a tecnologia reconfigura a perceção, a linguagem e a identidade?
Peng Yun mergulha no limiar entre o humano e a máquina. WU • Stone • Sardapass nasce de um gesto simples: numa montanha, a artista escolhe uma pedra comum, lava-a e doura-a – uma cerimónia inútil. Um cão-robô observa, hesita e vai-se embora. O olhar da máquina e a atenção do artista colocam o cálculo de um lado e a presença do outro. A resposta reside na pausa, na pedra.
Uma Miscelânea de ‘Cinco Língu- Língu’, de Bianca Lei, materializa a complexidade cultural de Macau através da linguagem. Cinco línguas – cantonense, mandarim, português, patuá e inglês – estão ligadas aos «cinco elementos» da cultura chinesa. O patuá, um crioulo em vias de extinção, é o mais frágil. Enquanto a IA normaliza a tradução universal, Bianca Lei reafirma a linguagem como um território de resistência.
Em Fragmentos do Tempo – Teatro do Rosto, de Gao Fuyan, o rosto do espectador é capturado, projetado, impresso e triturado. É uma destruição ritual da imagem – não da pessoa. O que resta do ser humano na era da vigilância facial?
Encomendadas pelo Instituto Cultural de Macau para Estou Aqui – Helena Almeida: Presença e Ressonância (2026) e Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau (2025), as obras foram inicialmente exibidas no Museu de Arte de Macau, consubstanciando o papel da cidade como plataforma sino-lusófona. Esta participação inaugural na Bienal de Curitiba representa uma nova iniciativa do Governo da RAEM para cumprir o seu posicionamento estratégico como “uma base de intercâmbio e cooperação para a promoção da coexistência multicultural com predominância da cultura chinesa”.
Curadoria: Margarida Saraiva
Artistas: Peng Yun, Bianca Lei e Gao Fuyan
INGRESSOS: https://museuoscarniemeyer.comprenozet.com.br/