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Fernando Aidar

Brasil
1983
Fernando Aidar (1983, São Paulo, Brasil) é formado em artes visuais pela Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), a mesma instituição em que defendeu seu doutorado em 2025, na área de poéticas visuais. Sua pesquisa artística parte da observação dos seres marinhos, das plantas (raízes) e dos seres microbiológicos. Estuda o orgânico enquanto forma, através da modelagem do barro, mesmo que entender a vida por meio da forma seja uma tarefa a priori fracassada. Fernando tenta imprimir o movimento na cerâmica, animar objetos estáticos. Antes de cursar artes visuais, passou 12 anos estudando, trabalhando e desenvolvendo pesquisas na área do meio ambiente. Ele traz essa formação científica para sua arte através das suas pesquisas na área de esmaltes cerâmicos, utilizando minerais não tóxicos locais (brasileiros). Essa pesquisa sistemática (um tanto obsessiva) dos últimos 10 anos tem um interesse especial nos esmaltes clássicos chineses de alta temperatura (1300ºC) em atmosfera redutora, como uma maneira de resgatar e dialogar com sua ancestralidade (sua mãe é de Hong Kong e seu pai descendente de libaneses/fenícios).

SOBRE A OBRA

Monolito é uma obra de aproximadamente 230 × 120 × 38 cm composta por azulejos cerâmicos e criaturas escultóricas. Sua face frontal apresenta um grande retângulo minimalista de azulejos, cuja aparente simplicidade é tensionada por leves deformações na superfície, sugerindo uma presença orgânica. Ao contornar a peça, o espectador encontra uma face posterior tomada por criaturas híbridas de cerâmica esmaltada e crânios de porcelana moldados a partir de um crânio de macaco. Esses corpos brotam da superfície como formas vivas, enquanto duas figuras observam o público do topo da obra, evocando gárgulas. O trabalho articula tensões entre humano e não humano, unidade e fragmentação: embora um monólito seja tradicionalmente um bloco único de pedra, esta obra é construída por múltiplos azulejos cerâmicos. Dialogando com o minimalismo e artistas como Constantin Brâncuși e Richard Serra, Monolito explora escala, presença e estranhamento, funcionando como um corpo silencioso que parece devolver o olhar ao espectador.