Tom Lisboa (Goiânia, Brasil) é um artista visual, pesquisador e curador brasileiro cuja produção transita entre fotografia, vídeo, performance e intervenção urbana, articulando práticas conceituais que investigam a imagem, a tecnologia, o cotidiano e os modos contemporâneos de sociabilidade. No âmbito da curadoria, ele foi responsável por projetos da Bienal de Curitiba entre 2014 e 2018, e no cenário artístico recente, participou da Third Quanzhou International Image Biennale. Mestre pela Goldsmiths, University of London, ele desenvolve atualmente sua pesquisa de doutorado sobre as relações afetivas entre humanos e inteligências artificiais, servindo de base para sua proposta nesta edição da bienal, que busca refletir sobre os limites da antropomorfização dos assistentes de IA generativa e sobre as formas de projeção emocional que emergem dessas interações.
SOBRE A OBRA
Em 2026, Tom Lisboa revisita o conceito de Polaroides (In)visíveis: autorretratos, realizado originalmente em 2006, quando 36 artistas produziram imagens distintas a partir de um mesmo texto que sugeria um autorretrato. Agora, a proposta desloca essa experiência para o campo das inteligências artificiais generativas, convidando o público a submeter a mesma “Polaroid textual” aos assistentes de IA que utilizam cotidianamente. Ao responder ao comando “IMAGINE QUE SEU ROSTO ESTÁ ENQUADRADO NESTA PARTE DA POLAROID”, cada chatbot é levado a criar um rosto para si, ampliando seu grau de antropomorfização. O resultado já não corresponde apenas a uma escolha do usuário, mas a uma imagem atravessada pelas interações acumuladas entre humano e algoritmo. Mais do que retratos, o trabalho investiga os reflexos produzidos por essas trocas contínuas, questionando como diálogos, hábitos e personalizações moldam aquilo que a IA devolve. Assim, o título original retorna acompanhado de uma nova pergunta: afinal, autorretrato de quem?