Froiid (1986, Belo Horizonte, Brasil) é artista multidisciplinar, mestre em Artes Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGARTES/ UEMG), graduado em Licenciatura em Artes Plásticas pela Escola Guignard (UEMG), vencedor do prêmio SESC Arte na na 22° Bienal Sesc_Videobrasil (2023), vencedor do Prêmio Décio Noviello de Artes Visuais 2020, pela Fundação Clóvis Salgado, indicado ao Prêmio PIPA (2022/2023) e residente do Bolsa Pampulha em 2022. Desde 2014, Froiid vem construindo uma diversificada produção, que inclui jogos, instalações, objetos, vídeos, fotografias, e trabalhos sonoros. Ao experimentar as regras de jogos busca superar o dualismo entre norma e liberdade, instituição e criação, indivíduo e sociedade.
SOBRE A OBRA
O pombo que escapa ao morcego toma o Mineirão como estrutura física, sonora e simbólica. A partir da vibração produzida pelos cantos das torcidas organizadas, o trabalho desloca o estádio da condição de arquitetura estável para a de corpo em movimento. Construído em módulos de concreto armado, o Mineirão carrega em sua própria engenharia a capacidade de responder à presença coletiva: quanto maior a intensidade da torcida, maior sua oscilação. Interessa ao artista justamente esse instante em que a massa altera o espaço, fazendo da arquitetura um acontecimento. A instalação opera por meio de motores elétricos acionados por um software desenvolvido a partir de mais de cinquenta horas de gravações de cantos de torcida. O som ativa a estrutura e produz um movimento contínuo, acompanhado por sinos distribuídos ao longo da peça. Esses elementos sonoros aproximam temporalidades distintas: o estádio, o rito popular, a ocupação coletiva e a memória colonial brasileira, na qual o sino organizava ritmos sociais, religiosos e de trabalho. O título do trabalho deriva do samba Morro do Sossego, de Arthur Poener e Candeia, censurado durante a ditadura militar por sua associação à vadiagem e à luta de classes. Deslocada da música original, a frase permanece como vestígio e tensão. Entre fuga e permanência, ela atravessa o trabalho como imagem de uma força coletiva que escapa às formas de controle. A pesquisa de Froiid parte do jogo como estrutura social e linguagem. Em seus trabalhos, regras, disputas e sistemas são reorganizados como dispositivos capazes de revelar dinâmicas de poder, pertencimento e invenção popular. Em O pombo que escapa ao morcego, o estádio aparece como lugar onde essas forças se condensam: espaço de vibração, conflito, festa e reorganização contínua da experiência coletiva.