James Seiji Kudo (1967, Pereira Barreto, São Paulo, Brasil) é um artista visual cuja prática investiga as relações entre memória, território e imagem. Graduado em design gráfico pela Faculdade de Belas Artes em 1989, morou em Nova Iorque de 1992 a 1994, estudou pintura abstrata na escola Art Student League orientado pelo professor e pintor Bruce Dorfman. Trabalhou como pattern designer no escritório de arquitetura Diamond & Baratta em Nova Iorque.
O tema “topofilia” como partida inicial do seu trabalho é o terreno ampliado que enfatiza a especificidade dos recortes da memória especialmente relacionados a transformação da sua cidade natal, parcialmente demolida e inundada para a construção de uma usina hidrelétrica.
O simulacro de colagens e imagens apropriadas de enciclopédias como também. Os moldes de vestuário, operam como dispositivos de construção para várias narrativas refletindo múltiplas camadas de experiências, subjetividade e deslocamento.
Suas obras integram importantes coleções institucionais como o MAC – Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, MAR – Museu de Arte do Rio, Pinacoteca do estado de SP, Instituto Itaú Cultural, Hyogo Museum of Art Kobe, acervo Banco Santander, Miura Museum
Matsuyama entre outros.
Entre suas exposições individuais destacam-se: “Oxímoros” Galeria Zipper, “Between Hemisphere” Python Gallery – Suíça “Autorretrato” Galeria Murilo Castro e MARP – Museu de Arte de Ribeirão Preto. Participou também de exposições coletivas como “Limiares” 16 Bienal Internacional de Curitiba “Olhar Incomum”, MOM Museu Oscar Niemeyer,“Espelho Refletido” Centro de Artes Hélio Oiticica – Rio de Janeiro “100 painters of tomorrow” Beers Contemporary Londres, UK e “Vértices” Museu Nacional dos Correios – Brasília.
SOBRE A OBRA
Na sua produção recente, James Kudo parte de moldes de vestuário construídos a partir de suas
próprias medidas para desenvolver uma investigação pictórica sobre o corpo. Ao deslocar esses
elementos de sua função original, o artista transforma estruturas técnicas em composições visuais
que operam entre geometria e experiência subjetiva.
As formas resultantes configuram uma espécie de cartografia do corpo, onde presença e ausência
se articulam de maneira sutil. Em vez de representar a figura diretamente, Kudo trabalha com
vestígios — traços, cortes e encaixes que sugerem um corpo fragmentado, reconstruído no espaço
da pintura.
A obra propõe uma reflexão sobre o corpo como território: ao mesmo tempo mensurável e
simbólico, atravessado por memória, identidade e percepção. Nesse processo, o que seria
instrumento de medida se converte em linguagem, tensionando os limites entre abstração e
representação.